Buenos Aires 7 x Curitiba 2

Em Buenos Aires 7% da população utiliza a bicicleta como meio de transporte, segundo a União dos Ciclistas Urbanos da Argentina. Em Curitiba menos de 2% (IPEA 2011). Isto quer dizer que mais do que o triplo de portenhos usam o saudável veículo como meio de transporte. É de lá que nos escreve o Gil Caruso, cujo texto segue abaixo.

Faz alguns dias eu e Luísa chegamos de bicicleta em Buenos Aires. Foram três meses de pedal pelo litoral sul brasileiro e toda a costa uruguaya. Temos um blog onde colocamos discussoes, relatos e fotos da viagem que pretende ir até Ushuaia: cicloterras.wordpress.com

Quando chegamos aqui, nao vi quase nada de bicicleta perto do terminal Retiro, apesar de todos os trens e metros terem dois vagoes para transportar as magrelas. Andando pelo centro, san nicolás, san telmo, começamos a sentir a presença. Quando paramos numa praça, avistei um posto de bicicletas públicas. O sistema é totalmente gratuito e as bicicletas estao em bom estado. Apesar de ter iniciado há uns anos segundo me disseram, o projeto ainda é incipiente, pois muitas das bicisendas centrais nao levam a lugar nenhum e vi outras com menos de 100m de comprimento.

Porém, nas grandes avenidas a bicicleta é parte do trânsito. Há faixas preferenciais (nao exclusivas) do lado ESQUERDO em todo seu comprimento (dezenas de quilometros). A escolha é para nao atrapalhar os ônibus, estes sim vao devagar pela direita. E me parece ilusao ficar usando comparativos como mais rápido, mais devagar. Nessas grandes avenidas (nao há nada parecido com isso em curitiba) o trânsito é bastante homogêneo, tirando o transporte coletivo.

E nao é só a bicicleta que é parte do trânsito. Os pedestres também. Quando um semáforo abre, o pedestre raramente olha se algum carro vai entrar, ele se impoe. E nao é porque há um pedaço de papel amparando ele caso morra atropelado e sim porque ele sabe que ninguém é burro o suficiente para atropelar uma pessoa de propósito. Isso também funciona em Florianópolis onde morei toda minha vida.

Temos pedalado pela cidade e mesmo com o trânsito intenso (muito pior e numeroso que Curitiba) seguimos tranquilos, ainda mais por nao ter que competir com os onibus (em curitiba, seguidamente corremos esse risco andando mesmo pelas vicinais no bordo direito e eu quase fui pro saco 2x).

Fica o exemplo concreto.

Os sábios do grande código verdadeiro que se cuidem, tem mais gente pensando.

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