Estrutura cicloviária em Curitiba: do discurso à prática

Graças ao mesmo Twitter que censura o Wikileaks, recebi uma mensagem do Vitor (@VMagliocco) que me indicando o link para uma reportagem da RPC.

“Corte de 99% para ciclovias emperra melhoria do sistema. O investimento inicial era de R$ 2 milhões, passou para R$ 26 mil. E até agora nenhum real foi utilizado”.

Simples, curta, consubstanciada por documentos oficiais, cujas fontes estão na internet para qualquer um ver; a reportagem trata a questão do uso da bicicleta com a seriedade de quem reconhece nela um legítimo e indispensável meio de transporte para nossa cidade. O uso das canaletas (vias exclusivas para ônibus) por ciclistas que, conforme narra um entrevistado é menos perigosa que as congestionadas e nervosas ruas de Curitiba. Os mais de 100 km de ciclovias que, interligando parques, não servem em sua maioria ao deslocamento casa-trabalho-escola. E claro a vedete maior em pauta: a aplicação de nenhum centavo de real dos mais de R$ 2,2 milhões orçados para a implantação e revitalização de infraestrutura cicloviária do município. Belo trabalho dos jornalistas José Vianna e Alex Barbosa.

Enquanto na Malásia, em seu discurso na 2ª Conferência de Cidades Sustentáveis de Classe Mundial que ocorreu no dia 19 de outubro, o prefeito Luciano Ducci fala que a “cidade pode se transformar enquanto cresce e ser ainda melhor por meio de políticas públicas que se sustentam“. Depois, mencionando as ciclovias da cidade: “Pioneira no Brasil na implantação de ciclovias, Curitiba tem hoje mais de cem quilômetros de vias destinadas ao uso dos ciclistas, interligando os parques“. Sugiro a leitura da íntegra do discurso, pois é interessante observar que, o que se fala lá fora, pode não ser tão grandiloquente quanto o que a gente vive aqui na cidade.

O interessante é perceber a sinuosidade entre o discurso e a prática. Lá nos idos de 2008 o vereador líder do prefeito Beto Richa na Câmara de Vereadores, demonstrando conhecimento de causa, apresentando dados estatísticos defendia, em nome do então prefeito, a implantação de ciclovias e ciclofaixas. No entanto o “defensor dos ciclistas” é o mesmo que vota pelo corte dos orçamentos para a infraestrutura cicloviária. Vejam aqui como é deveras entusiasmante o discurso do edil.

O curioso é perceber que existe uma grande leva de vereadores que defendem o uso da bicicleta e a construção de ciclovias e um prefeito que discursa bonito em nome da sustentabilidade. Porém, o que acontece em nossa cidade onde as boas intenções daqueles que tem a condição e a competência para decidir e realizar acabam não indo além dos discursos? Como interpretar este comportamento? Por que as promessas não se tornam realizações, por que o Orçamento é previsto e não é executado?

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